Memórias memoráveis: GTEF (Grupo Teatral Enock Fonsêca)

Memórias memoráveis: GTEF (Grupo Teatral Enock Fonsêca)enockQuando eu cheguei a Independência em 1976, o prefeito da cidade era uma mulher. A primeira e única na história do município: Guiomar Machado Portela. No final desse mesmo ano, o Sr. Valdemar Vieira Coutinho, foi eleito prefeito da Porronca e ficou por seis anos no poder. Então em 1978, quando fundei o GTEF, ele era o nosso prefeito há um ano e quatro meses.

É necessário que se diga que o GTEF (Grupo Teatral Enock Fonsêca) não foi um grupo oficial. Digo oficial no sentido literal da palavra. Muitos devem ler e reler esses meus relatos e dizerem: “Esse bicho é doido! Não existe nenhum registro nos anais da administração pública. Isso deve ser delírio dessa criatura. Isso nunca aconteceu! Nunca ouvi falar disso por outra pessoa, que não ele!”. Sim. É verdade! Se alguém, por um acaso do destino, resolver fazer um trabalho de pesquisa sobre teatro ou sobre o GTEF em Independência, não encontrará nada em arquivos ou na Secretaria de Cultura e ou na história do município na forma expressa. O grupo só existiu tacitamente. Não existe um registro sequer, a não ser o da minha memória afetiva, dos meus amigos que trabalharam comigo e ou de uma matéria que foi feita pelo jornal O Povo em 1978 (mas só publicada em 1979) que guardo comigo por exatos 38 anos. Por isso afirmo que o GTEF existiu sim. A bem da verdade nunca nenhum órgão público tomou conhecimento que nós existiamos ou nos procurou de forma efetiva para fazer a gente existir enquanto grupo oficial. O GTEF durou um ano de forma independente total. Sem apoio cultural ou financeiro de ninguém. Nem da iniciativa privada e muito menos da iniciativa pública.

Foi uma época em que o sonho de fazer teatro não passava por esses preâmbulos. O importante para nós era estar em cena. Era brincar com o lúdico. Era criar. Era mambembear. Fomos uma troupe de 25 jovens cheios de energia, alegria, talento, vontade e desejo, alicerçados por duas grandes mulheres (Filó Pimentel e depois Aleuda Bonfim) que brincou de fazer teatro com seriedade e com o compromisso de alegrar e fazer uma cidade que fica nos cafundós do Judas existir culturalmente. Ainda hoje é difícil fazer arte! Pode se imaginar o que um menino de 15 anos, ou seja eu, enfrentou para se fazer notar. Tudo que fizemos foi graças ao nosso esforço particular. E foi preciso, foi necessário que todos os jovens que estavam nessa empreitada “acreditássemos em nós mesmos”. Então, podem ter absoluta certeza que nós, enquanto grupo, existimos sim. Oficiosamente na cidade de Independência existiu o GTEF, ou seja, existiu o Grupo Teatral Enock Fonsêca.

Postado por Marcela Torres Teixeira

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